quarta-feira, 23 de março de 2011

Todo mês sangra? Mulher é bicho esquisito.


Rita Lee bem assim: “Mulher é bicho esquisito/todo mês sangra”. Uma música que ouvia ali atrás. Há poucos anos. A bela e a fera cor de rosa choque. Vinícius de Moraes era diferente: pedia a namorada um juramento: “Ser só minha até morrer”.  É só ver agora: mulher de 2011. Sangue jorrado na labuta do dia-a dia. Sangra, dá leite para a vida e não acha bonito não ter o que comer. Coisas de 1940 nos pensamentos do Ataulfo Alves (1940).  Atua com a pluralidade de funções que ainda a sociedade lhe exige. Não foge à luta. Delegadas, promotoras, juízas, prefeitas, governadoras, ministras, gerentes... De cabeça erguida, sem nenhum sotaque, sangra todo dia com os dois lados da Eva. Por vezes, silenciosa. Olhe a Dilma Roussef, a presidente. Discreta com todo o poder. Lá, criando expectativas. Você não vai vociferar com os homens? Não. Quieta. Indecifrável como esfinge. Sobrevoou a catástrofe na região serrana. Pronunciamento com ação. Ponto. Do outro lado, estão as Kirchners e as Angela Merchels. Mas o que acontecerá com a iraniana Sakineh Ashtiani? 99 chibatadas como punição por manter "relacionamento ilícito" com um homem. O enforcamento pode ser. Ou a lapidação como determina o código penal do Irã. As pedras lançadas serão grandes o suficiente para causar dor, mas não grandes para matá-la imediatamente. Cultural. A mulher sangra, não apenas todo mês, mas todo dia. Sabe o que quer e para onde vai. Mostra-se plena, feliz, infeliz. E daí? Não provoque, pedia Rita Lee. Pode ser cor de rosa choque. Por que não?



segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Granham Bell usaria o Twitter?

O que diria Granhan Bell ao Stone sobre a cibervida do século XXI? O cotidiano da sociedade contemporânea é mediado eletronicamente pelos consumidores ocupados com o compartilhamento de seus interesses imediatos, nas redes sociais, incluindo o celular, aparelho que antes, apenas transmitia a voz humana. As idéias de longo prazo são desprezadas e a troca permanente de conteúdos não se limita apenas à exposição pessoal, mas de uma grande audiência sedenta de profissionais e empresas que interagem negócios no mundo virtual.

Com a intenção de unir notas musicais, à distância, os experimentos iniciais de Alexandre Granhan Bell, em 1873, abriram caminhos para a transmissão de voz, ou seja, a criação batizada por “telefone”. Passados poucos séculos, esta invenção transformou-se, em um pequeno acessório de bolso, com possibilidades de conexão interativa e poder ilimitado de massificação. O impulso pela confissão pública oral e virtual veio ao encontro da filosofia do Twitter, restrito a 140 caracteres e elaborado pelo americano Christopher Isaac Stone, em 2007, em parceria, com os amigos Jack Dorsey e Evan Williams.

Vale sublinhar que a reviravolta do celular, aliada ao Twitter é celebrada pelos seguidores dessas ferramentas virtuais, como local de pesquisas do segmento editorial, que inspiram quase, obrigatoriamente, as instituições jornalísticas, além de produtores de cultura, pesquisa e comportamentos de cidadania. Na sociedade líquido-moderna, expressão do livro “Vida para consumo” de Zygmunt Bauman, onde explica os comportamentos sociais do mundo contemporâneo, vê-se a importância da velocidade e da aceleração ilimitada que não permitem olhar a lentidão do passado. O imediatismo e a parceria do Twitter com o celular, além de serem instrumentos de comunicação, aproximam pessoas, partilham instantaneamente o cotidiano dos seguidores com mobilidade, conforto e liberdade.

Granham Bell, você ousaria Twittar?

Regina C. S. B. Magalhães

Doutoranda em Engenharia da Informação - UPSAM - Madri

Mestre em Jornalismo- UFRJ

Professora de Língua Portuguesa