segunda-feira, 13 de junho de 2011

Sem desculpas



Ver a charge animada, com Maurício Ricardo, no endereço:

http://charges.uol.com.br/2011/05/25/dilma-canta-coracao-em-desalinho/






Com tantas oportunidades, senhor Palocci, pensava continuar ministro-chefe da Casa Civil, fazendo a multiplicação, não dos pães, mas de seu patrimônio? Médico, prefeito, consultor, deputado e ministro, o que mais desejava do poder?
Senhor ex-ministro, não é demais rever a biografia do último presidente da República Velha, Washington Luís. Na época, há pouco mais de 50 anos, lembrava a todos os brasileiros e brasileiras: “Governar é abrir estradas”. Não só as pavimentadas, com asfalto, doutor, mas as da ética e as do respeito ao povo.
Um país que acredita em seu crescimento, ou melhor, que é a sexta economia do planeta, esperava do senhor mais cumplicidade e cidadania. Esta foi a sua colaboração? Abrahan Lincon fez uma profecia: “Se quiser pôr a prova o caráter de um homem, dê-lhe o poder”. E agora, o senhor sai sorrindo, dá às costas e tudo bem? Estava certo da impunidade? Ou pretendia gerenciar paralelamente o público e o privado com o poder que recebera? Nada o inquietou, na saída, com honras e glórias em tom de “Vai com Deus”? Infelizmente, não ouvi: “retorne e preste contas”.
Em sua cadeira, agora esta sentada, à mão direita, da presidente Dilma Rousseff, a não só bonita e carismática, Gleisi Hoffmann, com um curriculum invejável de eficiência e eficácia, mas que tem nariz empinado e fama de mão de ferro e ouvidora dos mais aflitos do país.
A expectativa é de que o senhor não tenha deixado, no ambiente de trabalho, o vírus da irresponsabilidade administrativa, o olhar e o sorriso dissimulados de Capitu. Sem desculpas, Palocci!




segunda-feira, 6 de junho de 2011

Pleonasmo

Pleonasmo é uma palavra de origem grega que significa superabundância ou o uso de expressão redundante.

Leandro Hassum e Marcius Melhem apresentam exemplos de vícios de linguagem com humor e senso crítico.

         

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Fogo e água




Vi ontem o casamento da Kate Middleton com o príncipe William. Ele com uniforme da Marinha sorrindo e acenando para os súditos. Dizendo o SIM da eternidade ao companheirismo. Ela mais murmurava e serenamente. O sorriso e o enigmático olhar me reportaram à Mona Lisa de Leonardo da Vinci, o quadro mais famoso e valioso do mundo. Mas ela não era tela. Era um casal iniciando uma vida a dois. “Que seja eterno enquanto dure”, já dizia Vinícius de Moraes.

Pensei aqui comigo, no casamento tradicional e o amor líquido da pós-modernidade a que faz referência o pensador polonês Zygmunt Bauman. Em sua visão, tudo que era sólido se fez líquido. Os relacionamentos se dissolvem na velocidade das máquinas contemporâneas. O compromisso implacavelmente escorre, entre os dedos, como água, sem que se possa retê-lo. Ali mesmo, na tecla do celular ou das redes sociais, do SMS. Um clique e pronto. Tudo se desmancha.

Mas, o “Amor é fogo que arde sem se ver”, assinalava Camões no século XVI. Os ingleses queriam aplaudir aquela chama de amor acesa ao vivo e em cores. A multidão documentou, ali na passarela das ruas cinzentas de Londres, o casamento tradicional sólido e aplaudiu a união estável.

Cultura dos contos de fadas na realeza britânica? Nos tempos modernos, a praticidade virou tônica. Em verdade, vê-se que o individualismo derrubando amizades e certezas. Contraditoriamente, uma multidão espontânea acompanhou, ao vivo ou pela mídia, o príncipe dar a mão àquela moça de olhar sensual e com sorriso contido. Foi uma união testemunhada com interação e cumplicidade de quem acredita no amor. Assim seja.






















Poema de sete faces - Carlos Drummon de Andrade

 Igreja de São Nicolau - Praga



(...)

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Quem não tem namorado - Carlos Drummond de Andrade

Fotografia em uma praça de Bruges - Bruxelas


Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namoro de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, de saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.
Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas, namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda, decidida ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição. Quem não tem namorado, não é que não tem um amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter um namorado.
Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa é quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugida ou impossível de durar.
Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora em que passa o filme, de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d'agua, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos e musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não chateia com o fato de o seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo, e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e de medo, ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras, e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada, e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo da janela.
Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uam névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteira. Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. Enlou-cresça.'


Flecha lançada



A vida virtual faz o Brasil acelerar projetos e se impor em nível internacional. O novo planejamento é  a construção de um novo cabo submarino, para tráfego de dados até a Europa e a África, que cruzará o Atlântico. De Natal (RN) a Fernando de Noronha, ligará a Cabo Verde, para chegar à África do Sul e finalmente a Portugal. Se 90% da conexão hoje passa pelos Estados Unidos, o Brasil se impõe à procura de alternativas mais baratas e velozes, como exige o mundo contemporâneo.

Um outro megaprojeto, ainda com pouca divulgação, é a nova linha férrea de transporte de cargas ligando o porto do Açu, no Norte-Fluminense, especificamente em São João da Barra ao Rio de Janeiro. Sabe-se que esta conexão ligará os Oceanos Atlântico e Pacífico, no Peru. Do lado de lá estarão à espera dos minérios e outras exportações, os Tigres Asiáticos. Ó pátria amada, idolatrada/ Salve, Salve”!

Será a Ordem e o Progresso? Com certeza, o segundo sim. O primeiro levará tempo. Há um provérbio chinês que assume : “Há três coisas que jamais voltam: a flecha lançada, a palavra dita e a oportunidade perdida”. O estado do Rio deslancha a cada dia. Mas e a infra-estrutura para tal desenvolvimento? E as estradas? O rio Paraíba, que já foi meio de transporte de cargas, escorre plácido em berço esplêndido. Ninguém dá a ele o ar da graça embora nasça em São Paulo e chegue bem próximo ao pré-sal e ao petróleo fluminense. A flecha já está no ar e o alvo não pode ser desviado.

"O grande ditador"


           

            Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.

            Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

            O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

            A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

            Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

            Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

            É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!



Filme “O grande ditador” com Charles Chaplin


http://www.youtube.com/watch?v=3OmQDzIi3v0