domingo, 28 de agosto de 2011

DEVASSA à ética juvenil


É prática comum, apesar de a lei proibir a venda de bebidas acoólicas para menores brasileiros, a ingestão cada vez mais precoce, da mesma pelos adolescentes. Antes, iniciava-se a prática lá pelos dezessete ou dezoito anos. Há relatos, em pesquisa, de que a juventude contemporânea ousa a ingestão aos catorze.
            O grande paradoxo são as meninas, que também parecem desejar a equidade diante do fato. Elas mesmas estão portando copos de misturas docinhas de vodca com suco de frutas ou mesma da chamada “loira”, ainda não entendi o porquê do nome ou entendi óbvio, que invariavelmente tem um fim pouco suportável a quem assiste.
         Estive visitando um supermercardo e vi a preferência na compra. Aquela mesma que promete devassar a vida, os instintos, a timidez e franquear a intimidade. Na mídia, o compromisso é de que convidada cerveja, será ela o motor da festa. Motivará alegria, encontros, celebrações imemoráveis, exposição sem conseqüências e atitudes que apenas vão “descer redondo”. Só haverá alegria, em companhia da cerveja, que conduzirá os encontros felizes.
       Os jovens, ainda sem espírito crítico, naquela fase, do sem medo de riscos, mas de ousadias e experimentos, entram na temática das propagandas. Contudo, aproximam-se das patologias afins, como: arritmias cardíacas, pancreatite, cirrose e outras tantas conhecidas por muitos adultos. Sem falar no trânsito, tão comprometido pelos crimes acometidos por até celebridades, por este imenso Brasil.    
      Mas, é hora de se entregar à ética, a saúde do jovem e a devassa ao conhecimento, indispensável a um Brasil trigueiro, gigante pela própria natureza, que cresce apesar das crises internacionais. Precisa-se, além de tudo, de que os jovens sejam capacitados, para erguer, ainda mais, a taça da liderança e da capacitação e não do vício.








Londres, como assim?


Vídeo enviado por Maitê Pereira


O motim das últimas semanas ocorrido em Londres é de perplexidade. País, reconhecidamente, como berço da Revolução Industrial, no século XVIII, quando motivou profundo impacto no processo produtivo em nível econômico e social. Os cidadãos ingleses têm histórico de produtores de mercadorias, apoiados pelo liberalismo econômico, a acumulação de capital da burguesia e pela passagem do capitalismo comercial para o industrial com uma série de invenções tecnológicas.

A Inglaterra foi marcada pela hegemonia mundial britânica, período de acelerado progresso econômico. É identificada pela gestão de décadas da Rainha Vitória, por casamentos suntuosos, castelos seculares, musicais e óperas, museus e igrejas que despertam interesse por todos os passantes.

Neste mundo de consumo globalizado, os objetos de desejo envelhecem em um piscar de olhos e o desejo de adquirir a mais nova e a mais moderna mercadoria está explícita em nossas idas e vindas às lojas. Pensa-se que se chega mais perto do poder, das celebridades e da elite e os que se expõem pela riqueza e pela magia do ter e não do ser.

Como entender os londrinos? Aparência versus essência? Como assim? Meninas e meninos ingleses, em pleno século XXI, não alimentaram, aparentemente, um cenário de uma ideologia ou de uma libertação político-social. Queimaram lojas e saquearam o comércio de eletrônicos, com uma desordem seduzida pelo Twitter, onde marcaram encontros para reivindicar, ainda não se sabe exatamente o quê.

Pareceu mais uma explosão de jovens frustrados com ânsia de consumir roupas contemporâneas e o eletrônico mais recente que apareceu na mídia. Ou quem sabe, por não conseguirem trabalhar devido aos reflexos da crise européia, que parece se acomodar, onde existe o bem estar social estendido à população educada e gentil, na zona da libra.

Nos países periféricos, o descontentamento também está à frente de quem quiser ver, a qualquer hora do dia ou da noite. Um ônibus é seqüestrado na Avenida Brasil, a mais movimentada rua da cidade do Rio de Janeiro. Uma juíza foi assassinada à luz do dia em Niterói. A corrupção é explícita pela certeza da impunidade.



Mas aqui, o Brasil segue faceiro, com a economia em ascensão, com as diferentes classes sociais indo às lojas, endividando-se com a cumplicidade das propagandas. Em um shopping carioca, os consumidores são recepcionados, com uma faixa, em que se lê: “Entregue-se”. Bem vizinho, há um outro, em que a escultura é a Estátua da Liberdade, com várias lojas, com o nome em língua inglesa. Deve talvez oferecer mais poder de compra e venda. Mas, o Brasil cresce economicamente. Tudo bem. Ou não.



Mas em Londres? Como assim? Estará contaminada pela maior das epidemias, que fazem fricção, entre os passageiros e vítimas dessas últimas décadas, altamente influenciados pelos apelos midiáticos, para se aliarem à sociedade do consumo pós-moderno?

sábado, 6 de agosto de 2011

O vôo rasante de Nelson Jobim

    


                        
Desculpe-me, ex- ministro da Defesa, Nelson Jobim. Por que tanta impaciência com as mulheres? Sim; demonstrou preconceito de gênero em suas últimas ações no Planalto. Por que na hora de apagar a luz? Para quê fazer desfeita, no alto de sua idade e estatura? Que exemplo deixou para os brasileiros e brasileiras, na reta final, de sua estada no poder? 
Foi um constrangimento para quem está a par de seus feitos no governo, com sua determinação, ousadia e coragem para vencer os embates nas gestões anteriores. O que o senhor tem contra as mulheres nas lideranças? É preconceito contra a administração, antes entregue apenas aos homens? Ou vontade de assumir sozinho o comando de uma pasta sem dar satisfação a quem de direito? O senhor não sabia que na logística contemporânea, o trabalho faz-se, em equipe, com flexibilidade e divisão de tarefas?
A seriedade com que levantou a bandeira de suas funções de Estado não condiz com os seus últimos feitos na liderança governamental. Usar o sarcasmo para atingir suas colegas de administração pública, em nível nacional, não ficou de bom tom. Se quisesse fechar a porta, poderia pedir licença e sair.
São paradoxos que assustam e fazem o senhor confirmar a fluidez da existência contemporânea, no parecer do sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Em seu livro, Vida Líquida, suscita, na condição humana, a predominância do desapego, personagens com capacidade de se livrar do que é passado e de se tornar dispensável. Para quem viu e ficou, visualizou seu caminho com vôos altos, mas com um final rasante, que deixou a pista de pouso vazia, sem heróis e dedicação patriótica.