sexta-feira, 15 de abril de 2011

BILHETE

                                            Foto tirada em Bruxelas


Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...
(Mário Quintana)

Kamikazes contemporâneos


Desde os guerreiros samurais, no século XII, os “kamikazes” na Segunda Guerra Mundial e a convulsão irreparável Hiroshima e Nagasaki, este povo se mantém forte, orientando-se pela estrela maior, a cultura do sol nascente.
Viu-se a terra, mais uma vez tremer, junto às casas e tudo o mais na terra, no ar e no mar. Como disse Gandhi: “O medo não tem utilidade, mas a covardia não”. Os japoneses respeitam os fenômenos naturais e prepararam-se com uma fortalecida e até personalizada arquitetura, para os desencontros do solo sempre inconstantes e imprevisíveis.
Contudo, o tsunami há pouco, mergulhou os japoneses, sem escolha de idade, sentimento e religião a uma fatalidade de horror.  Não se viu pânico, lamento ou desespero, apesar de a terra continuar tremendo e provocando os japoneses com a radiotividade no ar. A fragilidade territorial do arquipélago japonês não intimida o povo que continua unido, com olhos pequenos, mas amor gigantesco e com a exaustiva luta contra as tormentas que teimam em lhes perseguir.
Com o apocalipse, mais uma vez, fecharam-se as cortinas do cenário devastador e o que se presencia é a resignação, atitudes discretas de contensão, mas de ação e perceptivelmente, o conceito inabalável de pátria. Até as ilhas se contorcem, mas se mantêm umas próximas às outras, dando-lhes frequentemente o abraço fraterno.
Os japoneses parece se unir discretamente para a reação. Sabem que, inevitavelmente, o sol continuará nascendo primeiro lá, sem contaminar os sentimentos de fé, esperança inabalável e a coragem dos “kamicazes”, que continuam se preparando para a luta, compreendendo e respeitando as desconexões da natureza. Paralelamente, aos embates terrestres, sabem fazer a reconstrução da esperança. Um exemplo de conceito de vida.

Hipocrisia nas relações sociais

Parece que todos estão juntos, nesta atual vida moderna, em alta velocidade, unindo-se pela voz, tato e visão. O planeta Terra interconectado com os acessórios de bolso, as telas luminosas portáteis e a comunicação em tempo real torna visível a nova era da rede da teia, da união e da interrelação.
Mas o incrível acontece. No entorno da corrida midiática, comete-se preconceito ao vivo e em cores: a discriminação na tela. Um parlamentar, representante do povo, descumpre a Constituição, assumindo-se como pai responsável, que sabe ensinar os filhos a não se aproximar de negros, como a Preta Gil, filha do ex-ministro da Cultura. “Preta, não!”
Lá do outro lado do Oceano Atlântico, Neymar, aquele jogador de futebol arisco, matreiro, que se joga no chão, pedindo falta ao juiz, mas que levanta a torcida, com os gols fantásticos, estreou na Inglaterra. Povo culto, com reis, rainhas, príncipes e princesas, tradição de coroas e figurinos reais. Mas recebeu da torcida adversária uma banana no campo. Discriminação no esporte em um país com tradição cultural.
E lá no alto, no norte da América, o polêmico pastor, Terry Jones, que queimou o Alcorão? Insuflou a rebeldia, conflitos sociais, com pelo menos, nove pessoas mortas e mais de 70 feridos no segundo dia consecutivo de protestos no Afeganistão.
A hipocrisia das relações sociais é exposta aqui e ali e agora com apelos na mídia. Uma das bases fundamentais dos direitos humanos é o princípio de que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Se o mundo se mostra globalizado, pela comunicação virtual, é importante perseguir, concomitantemente, o sentido ético, fraterno e respeito às diferenças individuais.