domingo, 28 de agosto de 2011

DEVASSA à ética juvenil


É prática comum, apesar de a lei proibir a venda de bebidas acoólicas para menores brasileiros, a ingestão cada vez mais precoce, da mesma pelos adolescentes. Antes, iniciava-se a prática lá pelos dezessete ou dezoito anos. Há relatos, em pesquisa, de que a juventude contemporânea ousa a ingestão aos catorze.
            O grande paradoxo são as meninas, que também parecem desejar a equidade diante do fato. Elas mesmas estão portando copos de misturas docinhas de vodca com suco de frutas ou mesma da chamada “loira”, ainda não entendi o porquê do nome ou entendi óbvio, que invariavelmente tem um fim pouco suportável a quem assiste.
         Estive visitando um supermercardo e vi a preferência na compra. Aquela mesma que promete devassar a vida, os instintos, a timidez e franquear a intimidade. Na mídia, o compromisso é de que convidada cerveja, será ela o motor da festa. Motivará alegria, encontros, celebrações imemoráveis, exposição sem conseqüências e atitudes que apenas vão “descer redondo”. Só haverá alegria, em companhia da cerveja, que conduzirá os encontros felizes.
       Os jovens, ainda sem espírito crítico, naquela fase, do sem medo de riscos, mas de ousadias e experimentos, entram na temática das propagandas. Contudo, aproximam-se das patologias afins, como: arritmias cardíacas, pancreatite, cirrose e outras tantas conhecidas por muitos adultos. Sem falar no trânsito, tão comprometido pelos crimes acometidos por até celebridades, por este imenso Brasil.    
      Mas, é hora de se entregar à ética, a saúde do jovem e a devassa ao conhecimento, indispensável a um Brasil trigueiro, gigante pela própria natureza, que cresce apesar das crises internacionais. Precisa-se, além de tudo, de que os jovens sejam capacitados, para erguer, ainda mais, a taça da liderança e da capacitação e não do vício.








Londres, como assim?


Vídeo enviado por Maitê Pereira


O motim das últimas semanas ocorrido em Londres é de perplexidade. País, reconhecidamente, como berço da Revolução Industrial, no século XVIII, quando motivou profundo impacto no processo produtivo em nível econômico e social. Os cidadãos ingleses têm histórico de produtores de mercadorias, apoiados pelo liberalismo econômico, a acumulação de capital da burguesia e pela passagem do capitalismo comercial para o industrial com uma série de invenções tecnológicas.

A Inglaterra foi marcada pela hegemonia mundial britânica, período de acelerado progresso econômico. É identificada pela gestão de décadas da Rainha Vitória, por casamentos suntuosos, castelos seculares, musicais e óperas, museus e igrejas que despertam interesse por todos os passantes.

Neste mundo de consumo globalizado, os objetos de desejo envelhecem em um piscar de olhos e o desejo de adquirir a mais nova e a mais moderna mercadoria está explícita em nossas idas e vindas às lojas. Pensa-se que se chega mais perto do poder, das celebridades e da elite e os que se expõem pela riqueza e pela magia do ter e não do ser.

Como entender os londrinos? Aparência versus essência? Como assim? Meninas e meninos ingleses, em pleno século XXI, não alimentaram, aparentemente, um cenário de uma ideologia ou de uma libertação político-social. Queimaram lojas e saquearam o comércio de eletrônicos, com uma desordem seduzida pelo Twitter, onde marcaram encontros para reivindicar, ainda não se sabe exatamente o quê.

Pareceu mais uma explosão de jovens frustrados com ânsia de consumir roupas contemporâneas e o eletrônico mais recente que apareceu na mídia. Ou quem sabe, por não conseguirem trabalhar devido aos reflexos da crise européia, que parece se acomodar, onde existe o bem estar social estendido à população educada e gentil, na zona da libra.

Nos países periféricos, o descontentamento também está à frente de quem quiser ver, a qualquer hora do dia ou da noite. Um ônibus é seqüestrado na Avenida Brasil, a mais movimentada rua da cidade do Rio de Janeiro. Uma juíza foi assassinada à luz do dia em Niterói. A corrupção é explícita pela certeza da impunidade.



Mas aqui, o Brasil segue faceiro, com a economia em ascensão, com as diferentes classes sociais indo às lojas, endividando-se com a cumplicidade das propagandas. Em um shopping carioca, os consumidores são recepcionados, com uma faixa, em que se lê: “Entregue-se”. Bem vizinho, há um outro, em que a escultura é a Estátua da Liberdade, com várias lojas, com o nome em língua inglesa. Deve talvez oferecer mais poder de compra e venda. Mas, o Brasil cresce economicamente. Tudo bem. Ou não.



Mas em Londres? Como assim? Estará contaminada pela maior das epidemias, que fazem fricção, entre os passageiros e vítimas dessas últimas décadas, altamente influenciados pelos apelos midiáticos, para se aliarem à sociedade do consumo pós-moderno?

sábado, 6 de agosto de 2011

O vôo rasante de Nelson Jobim

    


                        
Desculpe-me, ex- ministro da Defesa, Nelson Jobim. Por que tanta impaciência com as mulheres? Sim; demonstrou preconceito de gênero em suas últimas ações no Planalto. Por que na hora de apagar a luz? Para quê fazer desfeita, no alto de sua idade e estatura? Que exemplo deixou para os brasileiros e brasileiras, na reta final, de sua estada no poder? 
Foi um constrangimento para quem está a par de seus feitos no governo, com sua determinação, ousadia e coragem para vencer os embates nas gestões anteriores. O que o senhor tem contra as mulheres nas lideranças? É preconceito contra a administração, antes entregue apenas aos homens? Ou vontade de assumir sozinho o comando de uma pasta sem dar satisfação a quem de direito? O senhor não sabia que na logística contemporânea, o trabalho faz-se, em equipe, com flexibilidade e divisão de tarefas?
A seriedade com que levantou a bandeira de suas funções de Estado não condiz com os seus últimos feitos na liderança governamental. Usar o sarcasmo para atingir suas colegas de administração pública, em nível nacional, não ficou de bom tom. Se quisesse fechar a porta, poderia pedir licença e sair.
São paradoxos que assustam e fazem o senhor confirmar a fluidez da existência contemporânea, no parecer do sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Em seu livro, Vida Líquida, suscita, na condição humana, a predominância do desapego, personagens com capacidade de se livrar do que é passado e de se tornar dispensável. Para quem viu e ficou, visualizou seu caminho com vôos altos, mas com um final rasante, que deixou a pista de pouso vazia, sem heróis e dedicação patriótica.




segunda-feira, 27 de junho de 2011

A praça e o povo

            
O Supremo Tribunal Federal impôs definitivamente a liberdade de expressão no país ao permitir a Marcha da Maconha. Apesar de polêmica, a Corte justificou tal decisão, apoiando-se na Constituição que explicita o exercício do livre pensamento. Não é uma apologia ao crime, nem descriminalização do uso da droga, mas uma defesa às manifestações das minorias.

Diante desse contexto, é bom lembrar que essas expressões verbais não se limitam aos entorpecentes. No último final de semana (26 de junho) a 15ª edição da Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), em São Paulo, teve como tema, a frase "Amai-vos uns aos outros: basta de homofobia". O Dia Mundial do Circo, passeata pela paz, pelos bombeiros, pelos professores, pelos índios, contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará e pela saúde pública estão à vista, para quem tem olhos e sabe ver. Inclusive, manifestantes ambientalistas do grupo Greenpeace promoveram, em três capitais brasileiras, o protesto sobre o risco de acidentes, motivados pela exploração de petróleo em águas profundas.

O que está acontecendo hoje? Castro Alves, poeta brasileiro no século XIX, sinalizava: “A praça é do povo, como o céu é do condor”. É bom reconhecer que o espaço público deve ser democrático e pertence à sociedade, embora alguns considerem esses voos desagradáveis, ofensivos ou incompatíveis ao pensamento dominante. Olhando para o lado, veem-se, inclusive, as insatisfações em ruas mais longínquas. No Mundo Árabe, na Grécia, em Portugal, na Irlanda, na sofisticada Inglaterra e na França, há exemplos de figuração democrática (re)conhecidos  também nessas  famosas vias do planeta.

Passear, marchar, andar e reivindicar são palavras de ordem de todos os tempos e não poderia ser diferente agora. Mas, nos comportamentos contemporâneos, com apoio das redes sociais, atinge um público ilimitado, sedento por fazer valer suas opiniões em tempo real. Contudo, dentre todos esses protestos, a Marcha da Maconha, por ter uma temática nociva à saúde, deveria vir acompanhada de projetos de conscientização dos malefícios físicos aos defensores.




segunda-feira, 20 de junho de 2011

Carpe diem


                                                            Piccadilly Circus- Londres






No decorrer de minha carreira profissional, sempre apreciei a leitura dos jovens de ontem. Em minhas reflexões, sempre retorno à dualidade do Barroco, sobretudo, nas artes plásticas, que me emocionam, principalmente, as esculturas flamejantes. As antíteses e as hipérboles sempre me conduzem à perplexidade.
 Carpe Diem é também um dos meus temas favoritos da literatura. Como e por que aqueles autores percorreram o caminho da alegria de viver? Penso ainda, no Parnasianismo, com textos complexos e, excessivamente, rimados. Em que se inspiravam? Gosto dos poetas do século XIX do Romantismo. Admiro até hoje, as poesias de Álvares de Azevedo e de Gonçalves Dias. E a musicalidade dos Simbolistas? Quanto lamento e dor?
Hoje, aliás, muito de repente, vejo outros jovens. Portando celulares, em conexão constante no ciberespaço, com I Pad, I Pod, MP4, para companhia e divertimento. Observo as novas telas vivas dos corpos: piercings e tatuagens, estrategicamente, aplicados na pele, com simbologias explicadas na ponta da língua quando indagados. Vejo a grafitagem, nos espaços públicos, como manifestação de suas subjetividades. São as atuais expressões contemporâneas do eu. Sem falar na irreverência que, às vezes, surpreende-me pela ousadia sutil.
Algo me chamou a atenção nos últimos dias: jovens de uma escola rasparam a cabeça, em solidariedade a um colega, com câncer. Parei e pensei. Ali está explícito o mesmo sentimento dos tempos de sempre da vida real: o amor. A solidariedade dos colegas à dor alheia fez exaltar minha crença de que os comportamentos sempre se entrelaçarão entre passado e presente não importa como.
Respirei fundo e disse para mim mesma: “Continue acreditando em seus propósitos. Esses adolescentes, quase adultos, são diferentes mesmo. Manifestam suas hipérboles, as antíteses, o lamento e a musicalidade em suas vidas. São diferentes, exóticos, por vezes, ambivalentes. Contudo, amam e solidarizam-se com o próximo tão intensamente, como os meus escritores preferidos da literatura”. Então, Carpe diem.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Postura X




Enquanto a     Terra gira lentamente, a economia global acelera transformações nunca antes vistas na história deste país. É aqui, no estado do Rio, que se pode ver o espetáculo do crescimento. Mas lá em cima, Barack Obama dialoga com seus vizinhos, que os BRIC´s devem o desenvolvimento aos Estados Unidos e à Inglaterra. Arrogância ou receio?
            Girando o globo, veem-se os países emergentes se superarem, com logística desbravadora e ousada, enquanto os PIIG´s (Portugal, Irlanda, Itália e a Espanha) contorcem-se e amargam a maior crise da história. Fenômenos políticos para nenhum cidadão colocar defeito e interpretar com sabedoria, religando saberes com os conhecimentos históricos.
 Do imenso litoral, o Brasil mostra a sua nova cara e levanta as mãos encharcadas de petróleo, sem falar nas riquezas profundas do pré-sal. Vários chefes de Estado se aproximam para reconhecimento esses lençóis de água brasileiros e negociar.
Um detalhe digno de observação é anfitrião do dia: o urbanista, Jaime Lerner, aquele que remodelou a cidade de Curitiba. Com poder de arquiteto reconhecido, em nível internacional, garante a habitação para os atraídos pelas riquezas do “ouro negro” na região. Prepara os canteiros, para implantar a chamada Cidade X, no norte-fluminense, mais especificamente, em São João da Barra.
           O cenário desse filme da vida real é o superporto do Açu, um megainvestimento com parque siderúrgico, indústrias automotivas e usinas de pelotização de petróleo. Esta cidade nasce do zero, mas apoiada por um planejamento ecologicamente sustentável. Não deixa de orgulhar seus circunvizinhos, como Campos dos Goytacazes – onde moro. Sem dúvida, é um X, em séculos de atraso, mas que propõe progresso àqueles que, há pouco menos de cinco anos, viviam nas algemas do poder de poucos.

Sem desculpas



Ver a charge animada, com Maurício Ricardo, no endereço:

http://charges.uol.com.br/2011/05/25/dilma-canta-coracao-em-desalinho/






Com tantas oportunidades, senhor Palocci, pensava continuar ministro-chefe da Casa Civil, fazendo a multiplicação, não dos pães, mas de seu patrimônio? Médico, prefeito, consultor, deputado e ministro, o que mais desejava do poder?
Senhor ex-ministro, não é demais rever a biografia do último presidente da República Velha, Washington Luís. Na época, há pouco mais de 50 anos, lembrava a todos os brasileiros e brasileiras: “Governar é abrir estradas”. Não só as pavimentadas, com asfalto, doutor, mas as da ética e as do respeito ao povo.
Um país que acredita em seu crescimento, ou melhor, que é a sexta economia do planeta, esperava do senhor mais cumplicidade e cidadania. Esta foi a sua colaboração? Abrahan Lincon fez uma profecia: “Se quiser pôr a prova o caráter de um homem, dê-lhe o poder”. E agora, o senhor sai sorrindo, dá às costas e tudo bem? Estava certo da impunidade? Ou pretendia gerenciar paralelamente o público e o privado com o poder que recebera? Nada o inquietou, na saída, com honras e glórias em tom de “Vai com Deus”? Infelizmente, não ouvi: “retorne e preste contas”.
Em sua cadeira, agora esta sentada, à mão direita, da presidente Dilma Rousseff, a não só bonita e carismática, Gleisi Hoffmann, com um curriculum invejável de eficiência e eficácia, mas que tem nariz empinado e fama de mão de ferro e ouvidora dos mais aflitos do país.
A expectativa é de que o senhor não tenha deixado, no ambiente de trabalho, o vírus da irresponsabilidade administrativa, o olhar e o sorriso dissimulados de Capitu. Sem desculpas, Palocci!




segunda-feira, 6 de junho de 2011

Pleonasmo

Pleonasmo é uma palavra de origem grega que significa superabundância ou o uso de expressão redundante.

Leandro Hassum e Marcius Melhem apresentam exemplos de vícios de linguagem com humor e senso crítico.

         

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Fogo e água




Vi ontem o casamento da Kate Middleton com o príncipe William. Ele com uniforme da Marinha sorrindo e acenando para os súditos. Dizendo o SIM da eternidade ao companheirismo. Ela mais murmurava e serenamente. O sorriso e o enigmático olhar me reportaram à Mona Lisa de Leonardo da Vinci, o quadro mais famoso e valioso do mundo. Mas ela não era tela. Era um casal iniciando uma vida a dois. “Que seja eterno enquanto dure”, já dizia Vinícius de Moraes.

Pensei aqui comigo, no casamento tradicional e o amor líquido da pós-modernidade a que faz referência o pensador polonês Zygmunt Bauman. Em sua visão, tudo que era sólido se fez líquido. Os relacionamentos se dissolvem na velocidade das máquinas contemporâneas. O compromisso implacavelmente escorre, entre os dedos, como água, sem que se possa retê-lo. Ali mesmo, na tecla do celular ou das redes sociais, do SMS. Um clique e pronto. Tudo se desmancha.

Mas, o “Amor é fogo que arde sem se ver”, assinalava Camões no século XVI. Os ingleses queriam aplaudir aquela chama de amor acesa ao vivo e em cores. A multidão documentou, ali na passarela das ruas cinzentas de Londres, o casamento tradicional sólido e aplaudiu a união estável.

Cultura dos contos de fadas na realeza britânica? Nos tempos modernos, a praticidade virou tônica. Em verdade, vê-se que o individualismo derrubando amizades e certezas. Contraditoriamente, uma multidão espontânea acompanhou, ao vivo ou pela mídia, o príncipe dar a mão àquela moça de olhar sensual e com sorriso contido. Foi uma união testemunhada com interação e cumplicidade de quem acredita no amor. Assim seja.






















Poema de sete faces - Carlos Drummon de Andrade

 Igreja de São Nicolau - Praga



(...)

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Quem não tem namorado - Carlos Drummond de Andrade

Fotografia em uma praça de Bruges - Bruxelas


Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namoro de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, de saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.
Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas, namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda, decidida ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição. Quem não tem namorado, não é que não tem um amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter um namorado.
Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa é quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugida ou impossível de durar.
Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora em que passa o filme, de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d'agua, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos e musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não chateia com o fato de o seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo, e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e de medo, ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras, e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada, e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo da janela.
Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uam névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteira. Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. Enlou-cresça.'


Flecha lançada



A vida virtual faz o Brasil acelerar projetos e se impor em nível internacional. O novo planejamento é  a construção de um novo cabo submarino, para tráfego de dados até a Europa e a África, que cruzará o Atlântico. De Natal (RN) a Fernando de Noronha, ligará a Cabo Verde, para chegar à África do Sul e finalmente a Portugal. Se 90% da conexão hoje passa pelos Estados Unidos, o Brasil se impõe à procura de alternativas mais baratas e velozes, como exige o mundo contemporâneo.

Um outro megaprojeto, ainda com pouca divulgação, é a nova linha férrea de transporte de cargas ligando o porto do Açu, no Norte-Fluminense, especificamente em São João da Barra ao Rio de Janeiro. Sabe-se que esta conexão ligará os Oceanos Atlântico e Pacífico, no Peru. Do lado de lá estarão à espera dos minérios e outras exportações, os Tigres Asiáticos. Ó pátria amada, idolatrada/ Salve, Salve”!

Será a Ordem e o Progresso? Com certeza, o segundo sim. O primeiro levará tempo. Há um provérbio chinês que assume : “Há três coisas que jamais voltam: a flecha lançada, a palavra dita e a oportunidade perdida”. O estado do Rio deslancha a cada dia. Mas e a infra-estrutura para tal desenvolvimento? E as estradas? O rio Paraíba, que já foi meio de transporte de cargas, escorre plácido em berço esplêndido. Ninguém dá a ele o ar da graça embora nasça em São Paulo e chegue bem próximo ao pré-sal e ao petróleo fluminense. A flecha já está no ar e o alvo não pode ser desviado.

"O grande ditador"


           

            Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.

            Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

            O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

            A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

            Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

            Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

            É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!



Filme “O grande ditador” com Charles Chaplin


http://www.youtube.com/watch?v=3OmQDzIi3v0



sexta-feira, 15 de abril de 2011

BILHETE

                                            Foto tirada em Bruxelas


Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...
(Mário Quintana)

Kamikazes contemporâneos


Desde os guerreiros samurais, no século XII, os “kamikazes” na Segunda Guerra Mundial e a convulsão irreparável Hiroshima e Nagasaki, este povo se mantém forte, orientando-se pela estrela maior, a cultura do sol nascente.
Viu-se a terra, mais uma vez tremer, junto às casas e tudo o mais na terra, no ar e no mar. Como disse Gandhi: “O medo não tem utilidade, mas a covardia não”. Os japoneses respeitam os fenômenos naturais e prepararam-se com uma fortalecida e até personalizada arquitetura, para os desencontros do solo sempre inconstantes e imprevisíveis.
Contudo, o tsunami há pouco, mergulhou os japoneses, sem escolha de idade, sentimento e religião a uma fatalidade de horror.  Não se viu pânico, lamento ou desespero, apesar de a terra continuar tremendo e provocando os japoneses com a radiotividade no ar. A fragilidade territorial do arquipélago japonês não intimida o povo que continua unido, com olhos pequenos, mas amor gigantesco e com a exaustiva luta contra as tormentas que teimam em lhes perseguir.
Com o apocalipse, mais uma vez, fecharam-se as cortinas do cenário devastador e o que se presencia é a resignação, atitudes discretas de contensão, mas de ação e perceptivelmente, o conceito inabalável de pátria. Até as ilhas se contorcem, mas se mantêm umas próximas às outras, dando-lhes frequentemente o abraço fraterno.
Os japoneses parece se unir discretamente para a reação. Sabem que, inevitavelmente, o sol continuará nascendo primeiro lá, sem contaminar os sentimentos de fé, esperança inabalável e a coragem dos “kamicazes”, que continuam se preparando para a luta, compreendendo e respeitando as desconexões da natureza. Paralelamente, aos embates terrestres, sabem fazer a reconstrução da esperança. Um exemplo de conceito de vida.

Hipocrisia nas relações sociais

Parece que todos estão juntos, nesta atual vida moderna, em alta velocidade, unindo-se pela voz, tato e visão. O planeta Terra interconectado com os acessórios de bolso, as telas luminosas portáteis e a comunicação em tempo real torna visível a nova era da rede da teia, da união e da interrelação.
Mas o incrível acontece. No entorno da corrida midiática, comete-se preconceito ao vivo e em cores: a discriminação na tela. Um parlamentar, representante do povo, descumpre a Constituição, assumindo-se como pai responsável, que sabe ensinar os filhos a não se aproximar de negros, como a Preta Gil, filha do ex-ministro da Cultura. “Preta, não!”
Lá do outro lado do Oceano Atlântico, Neymar, aquele jogador de futebol arisco, matreiro, que se joga no chão, pedindo falta ao juiz, mas que levanta a torcida, com os gols fantásticos, estreou na Inglaterra. Povo culto, com reis, rainhas, príncipes e princesas, tradição de coroas e figurinos reais. Mas recebeu da torcida adversária uma banana no campo. Discriminação no esporte em um país com tradição cultural.
E lá no alto, no norte da América, o polêmico pastor, Terry Jones, que queimou o Alcorão? Insuflou a rebeldia, conflitos sociais, com pelo menos, nove pessoas mortas e mais de 70 feridos no segundo dia consecutivo de protestos no Afeganistão.
A hipocrisia das relações sociais é exposta aqui e ali e agora com apelos na mídia. Uma das bases fundamentais dos direitos humanos é o princípio de que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Se o mundo se mostra globalizado, pela comunicação virtual, é importante perseguir, concomitantemente, o sentido ético, fraterno e respeito às diferenças individuais.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Todo mês sangra? Mulher é bicho esquisito.


Rita Lee bem assim: “Mulher é bicho esquisito/todo mês sangra”. Uma música que ouvia ali atrás. Há poucos anos. A bela e a fera cor de rosa choque. Vinícius de Moraes era diferente: pedia a namorada um juramento: “Ser só minha até morrer”.  É só ver agora: mulher de 2011. Sangue jorrado na labuta do dia-a dia. Sangra, dá leite para a vida e não acha bonito não ter o que comer. Coisas de 1940 nos pensamentos do Ataulfo Alves (1940).  Atua com a pluralidade de funções que ainda a sociedade lhe exige. Não foge à luta. Delegadas, promotoras, juízas, prefeitas, governadoras, ministras, gerentes... De cabeça erguida, sem nenhum sotaque, sangra todo dia com os dois lados da Eva. Por vezes, silenciosa. Olhe a Dilma Roussef, a presidente. Discreta com todo o poder. Lá, criando expectativas. Você não vai vociferar com os homens? Não. Quieta. Indecifrável como esfinge. Sobrevoou a catástrofe na região serrana. Pronunciamento com ação. Ponto. Do outro lado, estão as Kirchners e as Angela Merchels. Mas o que acontecerá com a iraniana Sakineh Ashtiani? 99 chibatadas como punição por manter "relacionamento ilícito" com um homem. O enforcamento pode ser. Ou a lapidação como determina o código penal do Irã. As pedras lançadas serão grandes o suficiente para causar dor, mas não grandes para matá-la imediatamente. Cultural. A mulher sangra, não apenas todo mês, mas todo dia. Sabe o que quer e para onde vai. Mostra-se plena, feliz, infeliz. E daí? Não provoque, pedia Rita Lee. Pode ser cor de rosa choque. Por que não?



segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Granham Bell usaria o Twitter?

O que diria Granhan Bell ao Stone sobre a cibervida do século XXI? O cotidiano da sociedade contemporânea é mediado eletronicamente pelos consumidores ocupados com o compartilhamento de seus interesses imediatos, nas redes sociais, incluindo o celular, aparelho que antes, apenas transmitia a voz humana. As idéias de longo prazo são desprezadas e a troca permanente de conteúdos não se limita apenas à exposição pessoal, mas de uma grande audiência sedenta de profissionais e empresas que interagem negócios no mundo virtual.

Com a intenção de unir notas musicais, à distância, os experimentos iniciais de Alexandre Granhan Bell, em 1873, abriram caminhos para a transmissão de voz, ou seja, a criação batizada por “telefone”. Passados poucos séculos, esta invenção transformou-se, em um pequeno acessório de bolso, com possibilidades de conexão interativa e poder ilimitado de massificação. O impulso pela confissão pública oral e virtual veio ao encontro da filosofia do Twitter, restrito a 140 caracteres e elaborado pelo americano Christopher Isaac Stone, em 2007, em parceria, com os amigos Jack Dorsey e Evan Williams.

Vale sublinhar que a reviravolta do celular, aliada ao Twitter é celebrada pelos seguidores dessas ferramentas virtuais, como local de pesquisas do segmento editorial, que inspiram quase, obrigatoriamente, as instituições jornalísticas, além de produtores de cultura, pesquisa e comportamentos de cidadania. Na sociedade líquido-moderna, expressão do livro “Vida para consumo” de Zygmunt Bauman, onde explica os comportamentos sociais do mundo contemporâneo, vê-se a importância da velocidade e da aceleração ilimitada que não permitem olhar a lentidão do passado. O imediatismo e a parceria do Twitter com o celular, além de serem instrumentos de comunicação, aproximam pessoas, partilham instantaneamente o cotidiano dos seguidores com mobilidade, conforto e liberdade.

Granham Bell, você ousaria Twittar?

Regina C. S. B. Magalhães

Doutoranda em Engenharia da Informação - UPSAM - Madri

Mestre em Jornalismo- UFRJ

Professora de Língua Portuguesa